Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
“Quem me dera que eu fosse
aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como
uma eterna vela!”
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
“Pudesse eu copiar-te o
transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa,
a fronte amada e bela”
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
“Mísera! Tivesse eu aquela
enorme, aquela
Claridade imortal, que
toda a luz resume”!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola
de nume…
Enfara-me esta luz e
desmedida umbela…
Por que não nasci eu um simples
vaga-lume?”…

Círculo Vicioso
Nesta imagem, escolhemos a composição circular por causa da estrutura do texto, e como referência visual, mapas celestes antigos.
Outubro 18, 2009 at 10:36 pm
Excelente escolha do poema e a aquarela é maravilhosa.
Parabéns.
Outubro 19, 2009 at 5:29 pm
Obrigada pelos comentários! abs/ Adriana